Fátima Pena Campo de Experimentação da Cor
Em seu sentido mais estrito, a pintura é um campo de experimentação da cor, através da qual o artista pratica sua intuição e sua liberdade de inventar, de dar visibilidade e sentido aos seus desejos. Para Fátima Pena, esse campo experimental de liberdade lhe enseja recriar o mundo na forma de celebração das coisas simples: figuras, paisagens, objetos banais de nosso cotidiano são animados como entidades iluminadas com a cor. A artista busca apreender e fixar o instante das transformações e a energia que as provoca; reduz objetos e paisagens à sua forma essencial, tocando assim os limites da abstração.
Edifícios fantasmáticos emergem de brumas oleosas, abrindo espaços de nostalgia e silêncio, mas nos conjuntos de pequenos quadros, estabelece uma seqüenciação, quase ao acaso, pontuando os dados (inventariados no catálogo urbano e doméstico) com a pulsação forte da cor.
É a cor, assim, que fixa na memória a permanência dessas coisas que são, antes de tudo, sensações provocadas pela aura incomum da realidade.
Márcio Sampaio
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OBRAS
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